Palavra de Deus > Estudos Bíblicos
Daniel 9
REVISÃO:
Daniel 8:26-27: Diz Daniel: “Espantei-me acerca da visão, pois não havia quem a entendesse”.
Sua incapacidade de entender toda a visão das 2.300 tardes e manhãs, deixou Daniel irrequieto e ansioso para entendê-la.
O anjo Gabriel recebera a ordem de fazer Daniel entender a visão (cf. Daniel 8:16), mas ele não pôde suportar seu impacto. Ele desmaiou, ficou doente alguns dias e muito ansioso para descobrir todos os seus significados (cf. Dan. 8:27).
No capítulo 9, vemos Gabriel retornando para completar a explicação da profecia das 2.300 tardes e manhãs.
Daniel 9 tem quatro partes bem claras, como listadas abaixo:
Daniel 9:1-2 - A referência de Daniel ao seu estudo da profecia dos 70 de Jeremias;
Daniel 9:3-19 - A oração sincera e suplicante de Daniel;
Daniel 9:20-23 - O retorno de Gabriel;
Daniel 9:24-27 - A “explicação” dos 2.300 dias/anos – e do que haveria de acontecer ao longo desse período.
ESTE ESTUDO: DANIEL 9
Dan. 9:1-2
Primeiro ano de Dario – 9 anos após Daniel 8.
Jer. 29:10-15 – A desolação = 70 anos.
Pergunta: Qual é o significado da profecia dos 70 anos de Jeremias?
2 Crôn. 36:14-21
Levítico 25:3-4 – A terra descansava a cada 7º ano.
Dan. 9:3-19 – Daniel ora para que Israel se arrependa
v. 4 - Deus mantém Seu pacto de misericórdia para com aqueles que guardam Seus mandamentos;
v. 10 - Israel não havia obedecido a Deus, nem guardado suas leis;
v. 11, 15 - Daniel reconhece os pecados do povo;
v. 14 - Daniel reconhece a justiça de Deus em Suas obras;
v. 17-18 - Pedidos pela restauração do santuário em Jerusalém;
(Repare nos elementos do santuário e do êxodo aos quais Daniel fez referência em sua oração).
v. 19 - Daniel implora perdão.
Os Elementos da Oração de Daniel:
1. Ele orou com profundo sentimento de necessidade;
2. Ele dependia da justiça de Deus e não de sua própria;
3. Ele usou as escrituras que ele possuía;
4. Ele confessou seus próprios pecados e os do povo;
5. Ele sempre trabalhava para a glória de Deus e de Seu santuário;
6. Ele clamava e vivia de acordo com as promessas de Deus.
Dan. 9:20-23 - Gabriel retorna.
Dan. 9:24-27 – Leia toda a seção.
Dan. 9:24

“Setenta semanas estão decretadas...” .
- A palavra hebraica “chathak” significa “cut off”.
- Assim, as setenta semanas são uma parte do período da profecia dos 2.300 anos que Gabriel está explicando a Daniel.
FIGURA Nº 1

Dan. 9:25:
“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.”
O decreto para “restaurar e reconstruir” Jerusalém:
Foram feitos três decretos para restaurar Jerusalém:
1. Esdras 1:1-4 - 1º decreto de Ciro em 538-537 a.C.
2. Esdras 6:7-12 - 2º decreto de Dario em torno de 519 a.C.
3. Esdras 7:11-12 - Último decreto de Artaxerxes em 457 a.C.
O último decreto restaurou a autoridade total do governo de Israel.
Os dois primeiros decretos tinham a haver apenas com detalhes de reconstrução.
Foi somente com o decreto de Artaxerxes em 457 a.C. que ocorreu a completa restauração, inclusive restauração política e governamental.
Esdras 7:25-26
Esdras 6:14
Esdras reconheceu que foi necessária a combinação dos três decretos, de Ciro, Dario, e Artaxerxes.
Data de Início = outono de 457 a.C.
Como podemos ter certeza que o 3º decreto foi realmente no outono de 457 a.C.?
1. Datas de Olimpíadas - historiadores clássicos preservaram acuradamente as datas das Olimpíadas para Artaxerxes. Essas datas foram transmitidas de Xenophon e Thucydides por meio de Plutarco para o cronologista cristão Julius Africanus;
2. Cânon de Ptolomeu - documentou os reinos de reis desde o 7º século a.C.;
3. Texto Cuneiforme - (Compilado por Parker e Duberstein) – textos cuneiformes babilônicos, encontrados em sítios arqueológicos proveram um catálogo quase completo de registros de reis que dominaram aquela região, de 626 a.C. ao ano 75 d.C.;
4. Papiro de Elefantine - registros feitos por judeus que viviam na ilha Elefantine, no sul do Egito, durante o reinado persa. As datas foram registradas tanto no calendário lunar Persa-Babilônico, quanto no calendário lunar egípcio – o que ajudou a ajustar o sistema de datação da época ao nosso sistema atual.
“… até o Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas…”.
A. 7 semanas = 49 anos (457 a.C. a 408 a.C.);
B. 62 semanas = 434 anos 408 a.C. a d.C. 27).
João 1:4 - Jesus é o Messias;
Atos 10:38 - Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo;
Lucas 3:1-3 - 15o ano de Tibério;
Lucas 3:15 - Grande expectativa;
Lucas 3:21-22 - Batismo de Jesus;
Marcos 1: 14-15 - O tempo foi comprido.
Dan 9:26
“... E depois de “62” semanas, será cortado o Ungido”.
Algumas versões novas chegam bem perto do texto original hebraico que diz: “e não tinha nada para si mesmo”. Algum tempo depois das 62 semanas, depois do ano 27 d.C., Jesus foi realmente “retirado” (do hebreu “Karath” – que significa “retirado”, “morto”), e Ele literalmente não tinha nada – até mesmo Seus discípulos o abandonaram naquele momento.
Mat. 26:56 “Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então todos os discípulos, deixando-o fugiram”.
FIGURA Nº 2
“... E o povo do Príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário...”
A palavra “Príncipe” se refere ao “Messias Príncipe”. Por causa da rejeição Príncipe de Deus, a nação judia destruiu-se a si mesma. Tendo rejeitado o Messias de Deus, a cidade foi destruída pelas legiões romanas sob o comando de Tito em 70 d.C. (Nota: esse fato não tem qualquer relação com a profecia dos 490 anos, mas está incluída dentro do período dos 2.300 anos.) A destruição de Jerusalém veio “como uma enchente” e “... até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações”.
Dan. 9:27
“... E Ele fará um pacto firme com muitos por uma semana”
Jesus confirmou o concerto, pacto, “com muitos” do povo judeu ao longo do período de Seu ministério (3 1/2 anos) e então, após Sua crucifixão, ressurreição e ascensão, continuou a chamá-los para junto de si, por meio da igreja primitiva, ao longo de outros 3 1/2 anos até que Estevão foi apedrejado – uma clara evidência da rejeição da nação judaica aos apelos divinos – só então a mensagem foi levada com força às nações gentis (não judaicas).
Romanos 15:8 “Digo pois que Cristo foi feito ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos pais”.
Hebreus 2:3 “... Como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram”.
“... E na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação”
Cristo fez o sacrifício que ninguém faria. E, ao fazê-lo, Ele tornou completamente desnecessários os sacrifícios de animais e ofertas por pecados. Por isso Deus rasgou a cortina do Templo de alta abaixo (Mat. 27:51) simbolizando que, à partir daquele ponto, todos os filhos de Deus teriam acesso pessoal e direto a Ele sem a necessidade de intermediários ou de derramamento de sangue. Deus não mais estaria escondido atrás de uma cortina de templo. Cristo havia feito o sacrifício supremo pelos nossos pecados. Como resultado, Ele cumpriu todas as exigências da lei mosaica de sacrifícios.
Hebreus 10:8-10 “Tendo dito acima: Sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles Te deleitaste (os quais se oferecem segundo a lei); agora disse: Eis-Me aqui para fazer a Tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo. É nessa vontade dEle que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre”.
(Cristo tinha extinguiu ou cumpriu a lei sacrifical e estabeleceu seu pacto eterno de graça – Ele pagou o preço de todos os nossos pecados – satisfazendo a justiça de Deus que exigia o sacrifício de sangue pelos pecados.)
“... E sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a destruição determinada”
Deus permitiu uma destruição POR CAUSA da infidelidade de Israel (cf. Daniel 9:11, 18). Isso também se aplica profeticamente como um tipo, mostrando o que aconteceria com a desolação da igreja, sob as mãos da Roma papal.
Quando terminou o período probatório? Quando terminaram os 490 anos – exatamente no fim da 70ª semana.
O que aconteceu? O apedrejamento de Estevão, primeiro mártir cristãos.
Os judeus conseguiram fazer com que Jesus fosse morto para satisfazê-los. Mas nesta ocasião, foram os integrantes do próprio Sinédrio que fizeram o serviço! A história registrou essa data com precisão, 3 1/2 anos depois da crucifixão de Jesus, em 34 d.C.
Atos 7:51-60 - Apedrejamento de Estevão - com Saulo entre eles.
Atos 13:46-47 - A mensagem de Deus para salvação da humanidade foi retirada dos judeus como nação e dada aos gentios, para que se tornassem na luz que deveria repartir as boas novas da salvação a todo mundo. Até esse ponto, acreditava-se que os judeus eram o povo que Deus havia selecionado e colocado à parte para serem os estandartes de luz – mas eles repetida e insistentemente rejeitaram a verdade e a luz que lhes fora dada e perderam seu privilégio.
Voltemos a Dan. 9:24 para revisarmos os seis pontos principais realçados por Gabriel.
70 semanas (490 anos) estão determinados para Israel e Jerusalém para:
1. “... Para fazer cessar a transgressão” (fazer parar a injustiça) e – “para dar fim aos pecados...”. Esse período durou até o momento em que terminou a oportunidade de arrependimento para os judeus – eles tiveram todo esse tempo para deixar de ser injustos, e seguir a Deus da forma como Ele os capacitou a fazê-lo;
2. “... E para expiar a iniqüidade...” – Jesus fez isso na cruz;
3. “... E trazer a justiça eterna...” – Jesus fez isso na cruz;
4. “... E selar a visão e a profecia...” - Mediante a clara a cabal demonstração de que a profecia dos 490 anos (70 semanas) havia sido cumprida, Jesus “selou” ou confirmou a precisão e correção de toda a profecia de Daniel 8 e 9. Desde que a porção de 70 semanas da profecia dos 2.300 anos foi completamente confirmada na terra com acuracia tão surpreendente, deveríamos ter confiança igual quanto ao completo cumprimento para o restante dessa mesma profecia dos 2.300 anos;
5. “... E para ungir o santíssimo” – Essa frase, no original hebraico quer dizer: “O Mais Santo”. Como aprendemos, Jesus foi o Santo de Deus que foi ungido em 27 d.C. Exatamente da forma como a profecia indicava, a unção de Jesus Cristo ocorreu exatamente dentro das 70 semanas proféticas.
VOLTEMOS A DANIEL 8:13-14
“Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: ‘Até quando durará a visão relativamente ao holocausto contínuo e à transgressão assoladora, e à entrega do santuário e do exército, para serem pisados?’. Ele me respondeu: ‘Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado’”.
Em Dan. 9:23, Gabriel diz que deveria fazer Daniel entender a visão de Daniel 8.
Em Daniel 8:13-14, vimos que a visão se relacionava aos 2.300 anos. Em Daniel 8:13-14 os anjos estão perguntando a Deus quanto tempo demoraria antes que a restauração do ministério sacerdotal de Jesus no santuário celestial e Suas verdades fossem redescobertas e quais seriam as pessoas que as entenderiam.
Percebemos que ambas as visões dos 2.300 anos assim como a dos 490 anos começavam exatamente no mesmo momento (os 490 anos foram retirados da profecia dos 2.300 anos). Portanto, 2.300 - 490 = 1.810 anos. Ano 34 d.C. + 1.810 anos = A.D. 1844.
Assim, encontramos o ponto histórico de terminação da profecia dos 2.300 anos e a data exata para restauração e purificação do santuário (templo celestial) em 1844. Em 1.844, Jesus recebeu Seu domínio, Sua glória e reino (cf. Dan. 7:14), no momento em que Ele reafirma Sua atribuição sumo-sacerdotal. Em 1844, Ele restaurou Seu “Tamid”, Seu ministério contínuo (“Tamid”) ao seu lugar justo, na mente e no coração do Seu povo.
(Hebreus 8: 2: “... Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor fundou, e não o homem”.)
FIGURA Nº 3
2 Pontos Chave:
1. No fim das 70 semanas Jesus estabeleceu a Igreja Apostólica;
2. No fim dos 2.300 anos Jesus restaurou Sua Igreja (cf. Daniel 8:14)
A Igreja do Novo Testamento reconhecia e ensinava as profecias de Daniel’:
Marcos 1:14-15 - “... O tempo está cumprido...”;
Gál. 4:4 - Chegou “... a plenitude dos tempos”;
1 Pedro 1:10-12, 20 - “... Para as quais coisas os anjos bem desejam atentar” (compare com Dan. 13 - “... quanto tempo...”).
SUMÁRIO:
Quase 500 anos de acontecer, a profecia bíblica avisava quais seriam as datas exatas da reconstrução e restauração do Templo de Jerusalém, da unção de Jesus, a data exata de Sua crucifixão, e o fim do período probatório para os judeus.
Por meio da profecia temos prova inequívoca de que Jesus tinha toda razão em apresentar-se como o Messias. E que, pelo cumprimento tão perfeito dela, Ele “selou” a profecia e a visão, provando de uma vez por todas sua completa e total confiabilidade. Vendo a acuracia perfeita da profecia das 70 semanas proféticas, podemos confiar que Deus fez cumprir a segunda parte dela com a mesma perfeição, no ano de 1844.
Assim, em 1844, vemos Jesus (como descrito em Daniel 7:13-14) entrando na fase final do Seu ministério. Como o nosso Sumo Sacerdote, Ele entrou o Lugar Santíssimo do santuário celestial (à presença de Deus) para iniciar o julgamento e restaurar a igreja apostólica.
O final da profecia das 70 semanas aponta para Jesus como o nosso sacrifício pelos nossos pecados. Isso também aponta para o início do Seu ministério no Lugar Santo ao ascender para o céu. O final da profecia dos 2.300 anos aponta para Jesus novamente. Mas desta vez, o foco está em Jesus como o nosso Sumo Sacerdote no Lugar Santíssimo, na última hora do julgamento final da história humana.
Muitas das declarações e todas as figuras deste estudo foram retirados do livro: GOD CARES, por C. Mervyn Maxwell, págs. 196, 197, 207, 209, 239, 247 – 248 e 250.
|